Um dos textos que eu escolhi foi o texto 15 – Diários íntimos na internet e a crise da interioridade psicológica, e na minha visão achei possível uma conversa desse texto com o texto 13 – A felicidade paradoxal.
Porque?
No texto 13 o autor fala que nas culturas antigas os homens esperavam que os cultos dionisíacos os libertassem de sua pesada individualidade, e o que acontece hoje?
Não sei se entendi bem, mas o que as pessoas hoje em dia estão fazendo? Colocando suas “almas em comunhão”? Não tenho certeza, na verdade, se o termo "almas" é apropriado, mas..
No dia da aula do texto 15 a equipe falou sobre os costumes antigos, que eu não me lembro muito bem, mas falaram que antigamente em datas especiais, sei lá, algumas pessoas iam ao castelo do rei para simplesmente assistir suas refeições, por exemplo, ou assistir ao parto de sua mulher... e todo mundo achou isso bem estranho, não?
Pois é, mas o que é se faz hoje? Como é possível nesse ano de 2012 ter a 12° edição do BBB? Sem contar outros Reality Shows? Se estão no ar há tanto tempo é porque tem audiência.
Estamos sentados no sofá da sala vendo várias pessoas que não conhecemos comendo, dormindo, conversando, não fazendo simplesmente nada... Torcemos por alguma delas e gastamos o nosso dinheiro fazendo ligações para votar em quem fica e quem sai... isso não é totalmente estranho?
Hoje as coisas estão ao avesso, há tanta liberdade, tanta autonomia que simplesmente não se sabe o que fazer com ela, e na maioria das vezes se faz exatamente isso: nada.
Nos dias de hoje parece não haver ninguém preso em sua “pesada individualidade”
“Cada vez mais, a mídia reconhece e explora o forte apelo implícito no fato de que aquilo que se diz e se mostra é um testemunho vivencial: a ancoragem na “vida real” torna-se irresistível, mesmo que tal vida seja absolutamente banal – ou melhor – ESPECIALMENTE SE ELA FOR BANAL.” (Diários íntimos na internet e a crise da interioridade psicológica)
O espaço privado surgiu mais ou menos entre os séculos XVIII e XIX, e houve realmente uma separação daquilo que podia ser mostrado ao público e o que ficava destinado a viver no espaço privado, na intimidade... e foi nessa época, nesses espaços íntimos que o sujeito passa a pesar na sua vida interior, o espaço intimo era um espaço de introspecção, e as pessoas passaram a escrever uma espécie de texto de auto-reflexão... e hoje como explica-se as novas modalidades de diários íntimos expostos a milhões de olhos?
Acho que tem a ver com os paradoxos citados no texto 14 – Futuro da autonomia e sociedade de indivíduo, nós nos dizemos tão auto-suficientes, somos tidos como egoístas, só pensamos em nós e... Precisamos mostrar ao mundo quem somos nós e, pior, queremos ver o outro também... Espiar? Seguir? Curtir? Não sei se seria exagero achar que possa ter a ver com psicopatologias, de exibicionismo narcísico e de voyeurismos...

Mas na verdade eu tive dificuldade de realizar essa tarefa proposta pelo Márcio, de fazer perguntas e respondê-las, porque eu não tenho as respostas das perguntas que faço, minhas perguntas são perguntas, são dúvidas, são inquietações..
Mas como eu disso no começo, eu tentei fazer um resumo, dizendo o que eu penso, não sei se eu consegui ser clara, mas enfim...
Eu só espero, que vocês, assim como eu tenham saído dessa cadeira com muito mais perguntas do que respostas, porque são as perguntas que nos movem, e, agora eu entendi porque o Márcio nunca respondia prontamente quando nós lhe fazíamos uma pergunta, ele sempre jogava a pergunta de volta...
E como eu já disse no meu ultimo post, essa disciplina, me ajudou muito, me inquietando, me fazendo questionar sobre mim e sobre o mundo, de certa forma, acho que ela me fez crescer,
O modelo de aula, as rodas de conversa, o blog, até mesmo as aulas no jardim que eu odiava, cheio de formiga, sol, a grama pinicando... hoje eu entendi que valeu a pena, o sair do confortável também é importante, a mudança de paradigmas... enfim, vai deixar saudades!
Monaliza Leite
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