- Cada vez mais, as pessoas tem estado dispostas a expor suas vidas, seja em reality shows, fotos em revistas de fofoca e na internet, através de blogs, microblogs ou redes sociais, para não citar outros. Como explicar o curioso fato de que as novas modalidades de diários “íntimos” sejam expostas aos milhões de olhos na Internet?
“Querido diário...”. Essa expressão, já tão famosa, que era o início de tantos segredos, que já foi a causa de tantas disputas entre os sexos, objeto de desejo de garotos em busca de decifrar a muler amada...mas hoje, simplesmente não faz mais sentido. Ao menos, não como o fazia antigamente. Da conversa íntima, particular, extremamente pessoal, com o paciente caderninho. Hoje, qualquer pessoa pode publicar o que quiser, podendo ser visto instaneamente por centenas de outros. E não há mais a necessidade ou a preocupação de se esconder. Na verdade, quanto mais “seguidores”, quanto mais visualizações, melhor. Os limites do que pode ser mostrado ou dito foram sismicamente alargados! Podemos ser quem quisermos. E transformar a nossa vida comum em algo espetacular, compartilhada por milhões de outros. Não devemos nos preocupar, existem muitos, muitos outros na “banalidade quotidiana”. E, assim, continuamos a fazer os nossos posts e recebendo comentários, tendo mais seguidores, e seguindo...”e assim caminha a humanidade”.
Mas, na verdade, as novas formas de construção e consumo de identidades nos levam à uma posição de espectadores do eu diante de performances, sempre buscando o reconhecimento nos olhos e comentários dos outros, desejando cada vez mais ser visto e “curtido”. Assim, esses diários “íntimos” atuais são, na verdade, cartas abertas, doidas para serem lidas. Não tem mais porque falar com o “querido diário”, é melhor viver alguma coisa, tirar uma foto na hora com seu smatphone, postar na rede e esperar os comentários. A calma e paciência do “querido diário” ficam ultrapassadas diante do que se tem hoje. E essas tendências de exposição da intimidade, multiplicando-se cada vez mais, vão ao encontro e satisfazem a vontade geral do público: bisbilhotar e ser bisbilhotado. Consumir vidas alheias.E ser consumido.

Diogo, como sempre, belíssimo post!
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